A ALEGRIA DO REINO DE DEUS

Não há dúvida que a mensagem central de Jesus é a pregação do Reino de Deus, iniciada na Galileia após a morte de João Batista: “O tempo está realizado e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho. ” (cf. Mc 1,15). Embora vejamos seus sinais no mundo, o Reino se refere ao horizonte último e definitivo do homem, o próprio Deus, que, por meio de Jesus, deseja que toda a humanidade se salve.

Jesus, ao se revelar como o Cristo, se proclamou como representante do Reino de Deus e anunciou sua proximidade e a sabedoria de Deus, que planejou, em seu amor, atrair todos os homens a Si, elevando-os à plena estatura de Cristo: “Aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre, a esses predestinou a serem conformes a imagem de seu Filho, para que este seja o primogênito numa multidão de irmãos” (Rm 8, 29).  Por este motivo, o Reino de Deus é o bem supremo. Encontrá-lo é encontrar fascinado a alegria que dá sentido à vida: como o homem que encontrou um tesouro no campo (Mt 13,444), o comerciante de pérolas (Mt 13,45) ou a mulher que achou a moeda perdida que procurava com afinco (Mt 13,46). Pelo Reino, vale a pena arriscar e sacrificar tudo, porque é o único valor que durará para sempre, até a eternidade. Essa foi a experiência de todos os santos.

Jesus nos diz que é necessário “buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça” e, do mais, cuidará Deus, nosso Pai (Mt 6,33). Também disse que “aquele que deixar casa, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terras, por causa de mim, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna” (Mt19,29). São Lucas registra claramente “por meu Nome” (cf. Lc 18,30) e São Marcos, “por mim e pelo Evangelho” (Mc 10,29). Portanto, o Reino de Deus se identifica com a pessoa mesma de Jesus Cristo, Evangelho do Pai. Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 6,14). Não um caminho entre outros, mas o único, porque “há um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus” (1Tm 2,5).

Tudo o que de bom existe nas outras religiões pertence a Cristo e ao Reino, porque, se ainda não acolheram a plenitude da Revelação, trazem em si as “sementes do Verbo de Deus”, como expressou o filósofo-teólogo e mártir São Justino de Roma: “É necessário reconhecer as «sementes do Verbo», presentes e operantes nas diversas religiões” (cf. Ad gentes, 11; Lumen gentium, 17).

Assim ensina ainda o Concílio Vaticano II: “A Igreja Católica nada rejeita do que nessas religiões (não cristãs) existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia refletem não raramente um raio de verdade que ilumina todos os homens” (Declaração Nostra aetate, sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs, 2). “Essa doutrina impele-nos a afirmar que, embora por caminhos diferentes, ‘está contudo voltada para uma mesma direção a mais profunda aspiração do espírito humano, tal como ela se exprime na busca de Deus; e conjuntamente na busca, mediante a tensão no sentido de Deus, da plena dimensão da humanidade, ou seja, do sentido pleno da vida humana’ (São João Paulo II, Redemptor hominis, 11). “Isto não significa (…) atenuar a tensão missionária, à qual estamos obrigados em obediência ao mandato do Senhor ressuscitado: ‘Ide, pois, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’ (Mt 28, 19). (…) Através do diálogo, façamos com que Deus esteja presente no meio de nós: pois enquanto nos abrirmos uns aos outros, abrimo-nos também a Deus” (São João Paulo II, Audiência de 9 de setembro de 1998).

Os sinais do Reino se espalham por toda parte, pois “onde há o amor e a caridade, Deus aí está. ” Mas, afinal, o que é o Reino e como se realiza neste mundo?

Jesus não definiu o Reino de Deus. Mostrou-o presente no mundo, pela Palavra anunciada, pelos milagres e pelos seu gestos e silêncios. O Reino já está presente entre nós (cf. Lc 17, 20-21), mas não em sua plenitude. Deve ser acolhido em Cristo e deve ser construído por nós através de nosso testemunho e gestos de amor. “Não é espetacular. Cresce em silêncio, escondido, através do testemunho, da oração e da atração do Espírito” (Papa Francisco, #Santa Marta, 15 de novembro de 2018).

O Apóstolo São Paulo nos diz que “o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 1417). Os que encontram o Reino vivem na fé, esperança e caridade. Esta é a maior exigência da vida e da moral cristã e fonte de perene alegria! Por isto, rezemos com devoção cada dia o Pai-nosso suplicando ao Pai dos Céus: “Venha a nós o vosso Reino! ”

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

3 comentários sobre “A ALEGRIA DO REINO DE DEUS

  1. Encontrar o Reino é a verdadeira alegria do Cristão.!
    Encontrar pessoas que nos ajude nesse caminho de descobertas nos fortalece… Obrigada.

  2. O reino do céu está presente além dos tessouros …ele faz morada na busca constante do deixar tudo por causa de Jesus Cristo. Num mundo consumista que vivemos, temos que deixar as coisas que passam e buscar as coisas conduzidas por Deus.

  3. Rezemos com devoção todos os dias o pai nosso. E a nossa fonte de alegria. Minha sogra com 91 anos com demência e esclerose, me disse reza o pai nosso e uma ave Maria . Desde então creio que reza o pai nosso desde pequena. Ela diz repetidamente vamos rezar.

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