A RENÚNCIA NOS LIBERTA

Dom Francisco Barroso Filho

No nosso dia a dia, estamos sempre iniciando. Com efeito, em cada dia que começa, somos convidados a deixar para trás o ontem, o passado e iniciar um novo dia. Temos que aprender a morrer para o que é passado de erro, ou o erro do passado, , para ressuscitar , para renascer, para uma vida nova.  Em outras palavras, temos que dar o passo para a renúncia. Temos que aprender a renunciar. Isto supõe sim a graça de Deus,  mas exige também esforço e treino de nossa parte.

Coloquemos o nosso passado de erro nas mãos misericordiosas de Deus que perdoa e comecemos um novo dia, uma nova vida. Quem ainda não aprendeu a renunciar, não se liberta; estará sempre preso, apegado a alguma coisa, a alguém, a um vício, que o impede de decidir, livremente, a começar vida nova.  Sempre é tempo para recomeçar. Nunca é tarde.  Quem se apega ao dinheiro, ás suas posses e está sempre preocupado em acumular bens materiais, não sabe amar a sua pobreza, a sua pequenez, como souberam os santos.  Precisamos aprender a  saber perder. Perder para receber em troca um bem maior.  Preciso aprender a morrer para mim mesmo, para viver para Deus e para o outro.  Isto significa sair de mim mesmo, para me voltar para o outro, para Deus e para o irmão que precisa de mim.  Na espiritualidade, isto significa transcender-se.  Construir uma vida que tenha sentido, exige algum sacrifício, exige o deixar, o renunciar a alguma coisa, em vista de um bem maior.

Os santos se realizaram, numa vida de renúncia, de doação, de entrega de si mesmo, se desgastando na prática do bem e se tornando, assim, transcendentes e plenamente realizados.  Podemos dizer que esta é a verdadeira felicidade  dos filhos de Deus. – São João batista, o Precursor, dizia: “É preciso que eu desapareça, para dar lugar a Jesus Cristo”. O contrário disto é endeusar-se, é  tornar-se vaidoso, é querer chamar a atenção para si mesmo, ás vezes, até com prejuízo do outro.  O saber renunciar, o desapegar-se das coisas que tolhem a minha liberdade de escolha, o transcender-se, é a verdadeira sabedoria, sabedoria que leva à verdadeira felicidade.

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