FÁTIMA E A EUCARISTIA

Dia 13 de maio, comemoramos Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Todo o nosso povo e muitas capelas em nossa diocese a invocam com este título tão carinhoso. 

Todo o fenômeno místico de Fátima começou com a aparição do Anjo de Portugal, que convidou os três pastorzinhos à adoração eucarística, mesmo do campo onde cuidavam do rebanho. Lição para estes tempos de pandemia em que nos vemos longe de nossas igrejas.

O Anjo lhes ensinou a rezar: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e vos amo. Santíssima Trindade, vos adoro profundamente”. Depois, os introduziu no Mistério Eucarístico pela oferta de si em união com Jesus: “Quereis oferecer-vos a Deus? Quereis oferecer-vos pela humanidade?”.  Eas três crianças – Santa Jacinta, São Francisco Marto e a serva de Deus Lúcia – disseram o seu sim. Somos também chamados a dizer o nosso sim, pela oferta de nossas vidas em união com Jesus na Missa.

O Papa Francisco assim se expressou durante uma homilia em Santa Marta, comentando o Evangelho da Epifania: “Descubramos de novo a adoração como exigência da fé. Se soubermos ajoelhar diante de Jesus, venceremos a tentação de olhar apenas aos nossos interesses. De fato, adorar é fazer o êxodo da maior escravidão: a escravidão de si mesmo. Adorar é colocar o Senhor no centro, para deixarmos de estar centrados em nós mesmos. É predispor as coisas na sua justa ordem, reservando o primeiro lugar para Deus. Adorar é antepor os planos de Deus ao meu tempo, aos meus direitos, aos meus espaços. É aceitar o ensinamento da Escritura: ‘Ao Senhor, teu Deus, adorarás’ (Mt 4, 10). ‘Teu Deus’: adorar é sentir que nos pertencemos mutuamente, eu e Deus. É tratá-Lo por ‘Tu’ na intimidade, é depor a seus pés a nossa vida, permitindo-Lhe entrar nela. É fazer descer sobre o mundo a sua consolação. Adorar é descobrir que, para rezar, basta dizer ‘Meu Senhor e meu Deus!’ (Jo 20, 28) e deixar-me invadir pela sua ternura”.

Adorar a “Jesus escondido” na Eucaristia, dizia o pequeno São Francisco Marto, vidente de Fátima.  E mesmo ausente da capela, seu coração estava lá.

Recordo-me de muitos devotos da Eucaristia, aos quais encontrava sempre em adoração diante do sacrário em nossas igrejas. Desejo recordar, no entanto, duas pessoas: Dona Eugênia Carvalho, a Dona Geninha de Perdões, e minha saudosa mãe, Zeni Freitas Ribeiro, ambas, hoje, junto de Deus. Dona Geninha, idosa e já impossibilitada de andar por uma paralisia que lhe deixou marcas desde criança, dizia sempre: “Chego aqui, na janela do meu quarto, e, de cá, olhando a torre de nossa matriz, faço minha vista a Jesus”. Mamãe, quando eu a levava à Missa ou à matriz, pela manhã ou outro horário por alguma cuidadora ou pelos filhos, piedosamente se dirigia à capela do Santíssimo e fazia questão de rezar em silêncio e tocar a cortina do tabernáculo. E, nas vezes que a levava ao sol, da varanda de nossa casa em Itaguara, olhando para a janela da capela eucarística com sua pequena lâmpada vermelha, já impossibilitada de ir à igreja mesmo na cadeira de rodas, me dizia sempre: “Vamos fazer daqui uma visitinha ao Santíssimo Sacramento”.

Rezemos, pois, de nossas casas, com os pastorzinhos de Fátima:

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e Vos amo. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.

E ainda:

“Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.

 Ou assim: “Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento”.

Assim compreenderemos melhor a promessa de Maria, Nossa Senhora de Fátima, dia 13 de julho de 1917, e reiterada em Puy, através da Irmã Lúcia, dia 13 de junho de 1929: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.

Corações convertidos e adoradores sempre triunfam de todo mal.

Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro, Bispo diocesano

Foto: www.fatima.org.br/

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