IRMÃ CLOTILDE FALA DOS DESAFIOS VOCACIONAIS NA DIOCESE

Irmã Clotilde, ao centro, com agentes da Pastoral Vocacional da Diocese de Oliveira

A congregação das irmãs Apostolinas tem como principal missão o serviço de animação vocacional. E foi com esse intuito que as religiosas chegaram à Diocese de Oliveira, em 26 de agosto de 2012. Desde então, o trabalho junto à Pastoral Vocacional e o serviço às demais pastorais e movimentos tem sido intenso. Quem já fez parte desse caminho foi a Irmã Clotilde Prates de Azevedo. Depois de quatro anos no chão diocesano, ela se mudou para Brasília/DF, em 2017, onde continua desenvolvendo seu trabalho junto à Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). De volta à Diocese de Oliveira para assessorar o encontro “Amigos das Vocações”, realizado no último domingo (29), em Santo Antônio do Amparo/MG, ela falou sobre algumas das principais percepções com relação ao trabalho pastoral de animação às vocações.

Confira a entrevista e os principais pontos destacados pela religiosa.

Qual a sensação de voltar à Diocese de Oliveira depois de ter saído para a missão em Brasília?

Foi uma experiência muito positiva e animadora, não apenas porque reencontrei pessoas queridas, mas porque pude sentir que o empenho e amor às vocações continuam fortes. É sempre bom poder reencontrar o chão pastoral por onde se caminhou. Isso faz com que a diversidade do trabalho que faço tome ainda mais um rosto mais concreto.

 

Como despertar nos cristãos o sentimento de solidariedade no serviço vocacional para além dos espaços específicos da Pastoral Vocacional?

Esta pergunta é uma grande provocação que inquieta o coração de todos os animadores vocacionais do Brasil. Estamos em tempos de preparação ao 4º Congresso Vocacional do Brasil, que acontecerá em setembro de 2019, na cidade de Aparecida/SP. Com certeza esta é uma pergunta que está na base de reflexão do congresso. O próprio Papa Francisco vem motivando a Pastoral Vocacional a estreitar ainda mais seu diálogo com as pastorais afins, principalmente com as que atuam diretamente com a juventude. Prova disso é a própria temática do próximo Sínodo que é vocacional – Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Mas não tenho dúvida em afirmar que somente quando assumirmos como comunidade eclesial o empenho de crescer na consciência e cultura vocacional estaremos na estrada justa. Somente quando olharmos a vocação a partir do seu significado primeiro, ou seja, o chamado de Deus, que nos chama primeiramente a ser pessoa humana. Deseja que caminhemos como Filhos seus, formando uma verdadeira comunidade de discípulos missionários que vivem diferentes serviços, ministérios e vocações específicas.

Como você enxerga o trabalho das vocações na Diocese de Oliveira atualmente?

Fiquei 4 anos na diocese atuando diretamente na Pastoral Vocacional diocesana. Sempre senti uma grande abertura e apoio por parte de nosso bispo, Dom Miguel. Sua sensibilidade para com as vocações – e aqui digo, todas as vocações – é muito grande. O fato mesmo de ter acolhido e incentivado a presença e trabalho de uma congregação que tem como carisma específico o serviço às vocações já fala por si mesmo. Porém, sentia e sinto que ainda há uma estrada a ser percorrida por todos/as no sentido de valorizar e incentivar mais as ações vocacionais existentes na Diocese. Um exemplo são os Mosteiros Vocacionais que começaram a crescer nestes últimos anos nas paróquias, mas ainda são poucas as que aderiram à proposta. Houve uma grande aproximação entre a Pastoral Vocacional e os vários grupos juvenis existentes na diocese, principalmente com a Pastoral da Juventude (PJ), mas seria importante uma maior aproximação e trabalho em conjunto, nas paróquias, com a Pastoral Familiar e a Catequese.

Quais os maiores desafios na hora de auxiliar os jovens a discernirem seus projetos de vida?

Para mim, hoje, um dos maiores desafios seja a falta de pessoas disponíveis e preparadas para ouvir a juventude e fazer este acompanhamento. Vivemos um contexto marcado pela violência contra a juventudes, uma alta taxa de suicídio, da falta de referencias que pode gerar nos jovens, em geral, um certo vazio e falta de perspectiva de vida. Situação que pode fazer com ele não consiga perceber e ver a importância do processo de discernimento deste projeto que passa pela releitura de vida na ótica da beleza de Deus. Às vezes, pode parecer mais simples, rápido e descomplicado, “comprar o que o mercado oferece”. Entrar num processo de discernimento passa pela linda e maravilhosa estrada da descoberta e assunção de si mesmo, de sua história, da realidade que me circunda e do projeto de Deus sobre mim e o Criador. A estrada é linda, justamente por ser feita de construções e descontruções que podem provocar algumas dores, mas libertam.

 

Entrevista feita pelo jornalista Vinícius Borges

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