LIDERANÇAS PARTICIPAM DO 8º ENCONTRO MINEIRO DE CEBs

Dentre os 630 participantes do 8º Encontro Mineiro das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), estavam 23 lideranças da Diocese de Oliveira, representando sete paróquias. Eles se uniram aos membros de outras 21 arqui/dioceses do estado, na cidade de Ipanema, Diocese de Caratinga, entre os dias 19 e 21 de julho. O encontro teve como tema, “Os desafios de uma Igreja em Saída na sociedade do Bem Viver e Conviver”, e a iluminação bíblia, “Criarei um novo céu e uma nova terra e nunca mais haverá choro ou clamor (Is 65,17. 19)”.

A presidenta do Conselho Nacional dos Leigos do Brasil (CNLB), Sônia Gomes de Oliveira, e Pe. Alfredo José Gonçalves, da Pastoral dos Migrantes, foram os responsáveis pela assessoria temática. O grupo refletiu e indicou três eixos para o trabalho das CEBs: Origem, Caminho e Horizonte. Os pontos estiveram em destaque na carta final do encontro.

Quanto à Origem, as comunidades lembraram que a prática de Jesus é a fonte e a raiz de toda ação evangelizadora. Por isso, a oração apontou para a necessidade de refazer a caminhada de Jesus, propondo uma Igreja missionária e em saída.

            Para o assessor diocesano das CEBs, Pe. José Geraldo, a origem das comunidades eclesiais está intimamente ligada à missão proposta por Jesus: simples, partilhada e comprometida. Ele ainda reforçou uma prática bastante comum e tradicional na Diocese de Oliveira: os grupos de reflexão bíblica. “Com o Concílio Vaticano II, iniciaram várias experiências da reflexão bíblica entre os leigos. Daí surgiram vários mártires na caminhada, porque os profetas populares incomodaram os poderosos. Sempre lembramos nas celebrações os nomes dos mártires da caminhada. As metas são as encruzilhadas. Na nossa Diocese, também, a Palavra de Deus partilhada, indica vários caminhos que os grupos deverão percorrer no profetismo, na ação social, na evangelização, na política, no resgate dos direitos, na valorização dos movimentos populares. E essas tarefas nunca acabam, porque o Espírito indica novas ações, em cada tempo e lugar”, refletiu.

            Com a proposta de indicar uma evangelização ligada à vida do povo e na opção pelos empobrecidos, outro eixo indicado pelo encontro foi o Caminho. Assim, as CEBs reafirmaram suas opções metodológicas na ação evangelizadora. Como afirma o texto da carta final, as comunidades atuam “na catequese libertadora, na liturgia inculturada, na leitura popular da bíblia, na doutrina sócio ambiental da Igreja, nas pastorais socais, na espiritualidade do seguimento de Jesus e nos articulamos em redes com as outras CEBs espalhadas Brasil afora e na América Latina e Caribe”.

            Por fim, o eixo Horizonte apresenta o olhar para a esperança do Evangelho: onde a Igreja deve chegar. Assim, o encontro lembrou o compromisso com a construção do Reino de Deus, traduzido nas expressões da temática do mesmo: Cultura do Bem Viver e Conviver. Essa luta ficou expressa no desejo de cuidado com os atingidos pelas barragens no estado e na esperança proposta como força de espiritualidade para acreditar na superação das crises e na construção de novas formas de convivência, sobretudo com uma perspectiva de ecologia integral, como também tem proposto o Papa Francisco.

  Os representantes da Diocese foram de três paróquias de Campo Belo: Nossa Senhora das Mercês, São Sebastião e Nossa Senhora do Carmo; da paróquia de Nossa Senhora do Desterro, de Desterro de Entre Rios; paróquia de Nossa Senhora do Carmo, de Carmo da Mata; paróquia de Nossa Senhora do Carmo, de Carmópolis de Minas; paróquia da Senhora Sant’Ana, de Santana do Jacaré.

            Os participantes receberam uma cartilha sobre as CEBs de hoje, atualizada com as novas diretrizes da CNBB e os documentos pontifícios. Ela traz sete encontros para reflexão nos grupos, elaborados pela equipe estadual de CEBs de MG. Para ter acesso ao material, basta entrar em contato pelo seguinte telefone: (37) 9 8806-6156 (Pe. José Geraldo).

            O próximo encontro mineiro já tem diocese anfitriã: será em Guaxupé, no ano de 2023.

AS CEBS

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) surgiram após o Concílio Vaticano II (1962-1965) como uma rede de comunidades fortalecidas pelo protagonismo dos leigos e com uma proposta mais acolhedora, redefinindo a centralidade da paróquia.

  Na Diocese de Oliveira, a tradição das CEBs está ligada à presença dos grupos de reflexão, em diversas paróquias. Nestes espaços, os participantes têm na Palavra de Deus o centro de uma vida de fé marcada pela partilha e articulação entre os diversos grupos.

  O fortalecimento das pequenas comunidades, tão intenso nos anos 70 e 80 na Igreja do Brasil, volta ao centro das prioridades pastorais da CNBB, sobretudo no documento 100: “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”.

Outra marca da identidade das CEBs é a valorização da cultura latino americana e a proposta de uma fé transformadora, que se preocupa com a realidade social do povo.

Texto: Vinícius Borges
Fotos: equipe de comunicação do Encontro; participantes da Diocese

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