O IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

Como a devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma explicitação dos evangelhos, a devoção ao Coração Imaculado de Maria tem suas raízes mais profundas, sobretudo em São Lucas e São João.

Quando dizemos ‘coração’, nos referimos à intimidade pessoal de cada um. Falando de coração angustiado, triste ou exultante de alegria, expressamos o sentimento mais íntimo que anima toda a vida, expresso no simbolismo do coração.

         São Lucas, no relato da Anunciação, registra as palavras do anjo Gabriel a Nossa Senhora, referindo-se a ela, como a “cheia de graça” (Lc 1,28), isto é, a Imaculada, a que tinha coração plenamente em Deus. Na visita dos pastores, por ocasião do Nascimento de Jesus, registrou que Maria “guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração” (Lc 2,19), expressão que repetirá por ocasião do relato do encontro de Jesus no Templo de Jerusalém, depois de três dias de ausência (cf. Lc 2,51). Na Apresentação, quando o profeta Simeão tomou nos braços o Menino Jesus, rendendo graças a Deus pela chegada do Messias prometido, anunciou à Maria que “uma espada grande e larga transpassaria a sua alma (Lc 2,35) Profecia somente compreendida em sua plenitude, quando Maria acompanhar seu Filho na Paixão e ver rasgado o seu coração (cf. Jo 19,34). São Bernardo dirá que, enquanto se resgava o coração morto de Jesus, a alma ou coração da Mãe era igualmente rasgado.

Mãe da Santa Esperança, Maria guardará, na solidão do Sábado Santo, a certeza de que Jesus ressuscitaria glorioso, embora tenha vivido, como todas as pessoas, a tristeza do luto e a angústia que nos toma inteiramente diante da perda de alguém querido. E se “quanto maior o amor, maior a dor”, ninguém sentiu neste mundo maior dor, depois de Jesus, que a Virgem Maria.

Meditando os Evangelhos, a Igreja e os santos, eleitos por Deus para o aprofundamento das Escrituras, descobriram bem cedo a devoção ao Coração de Maria, mais largamente divulgada, juntamente com a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, após o século XIX.

Numerosos santos e místicos foram propagadores dessa devoção, que está intimamente associada à da Imaculada Conceição da Virgem Maria e à de Nossa Senhora das Dores, cujas imagens traziam, desde a antiguidade medieval, o símbolo do coração transpassado. São Bernardo de Carnaval (1090-1153), São Lourenço Justiniano (1381-1486), São João Eudes (1601-1680), São Luís de Montfort (1673-17160 e Santo Antônio Maria Claret (1807-1870) são bons exemplos.

Nas aparições a Santa Catarina Labouré (1806-1876), no verso da Medalha Milagrosa, se inscrevem os corações de Jesus e de Maria e o monograma da Virgem enlaçado pela cruz.

A Serva de Deus Virgínia Brites da Paixão (1860-1929) e a Venerável Berta Petit (1870-1943) e, no Brasil, a Beata Bárbara Maix (1818-1873), que, no Rio de Janeiro, fundou a Congregação do Imaculado Coração de Maria e Madre Cecília do Coração de Maria (1852-1950), fundadora das Franciscanas do Coração de Maria em Piracicaba, foram grandes propagadora dessa devoção. As aparições de Fátima fizeram com que se expandisse por todo o mundo católico, de modo admirável, de tal modo que após aquelas, as representações do Coração de Maria coroado de flores fossem substituídas pelo coração cercado de espinhos.

A Beata Alexandrina de Balasar (1905-1955) pediu ao Papa Pio XII que consagrasse o mundo ao Coração de Maria. O Papa atendeu o seu pedido em 31 de outubro de 1841, consagração renovada sucessivamente pelos papas São Paulo VI, a 21 novembro de 1964; São João Paulo II, a 13 maio 1982, renovada com todos os bispos do mundo a 25 de março de 1984, e o Papa Francisco, a 13 de outubro de 2013. Dom José Medeiros Leite, grande devoto de Nossa Senhora, fez solene consagração de nossa diocese a 13 de maio de 1946.

Por ocasião das visitas pastorais, Dom Antônio do Santos Cabral, que sempre se fazia acompanhar pelos padres claretianos, se propagaram os oratórios do Coração de Maria, os quais logo tomaram o nome de Nossa Senhora Visitadora, ainda presentes em muitas de nossas paróquias. Muitos desses oratórios são obra da marcenaria do Monsenhor Francisco de Paula Barreto que, em Oliveira, exerceu o seu ministério sacerdotal.

Rezemos com São Bernardo a Nossa Senhora, em tempos tão difíceis para a Igreja e para o mundo, envolvido em horrível pandemia: “Sim, é de Vós somente, ó doce Virgem Maria, que, apesar de minhas faltas, espero e aguardo o único bem que desejo: a união a Jesus no tempo e na eternidade”. Coração Imaculado de Maria, rogai por nós que recorremos a vós.

+ Miguel Angelo Freitas Ribeiro

Um comentário sobre “O IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

  1. Dom Miguel. Está devoção ao coração de Maria é especial. Na casa de minha tia aqui em Santo Antônio do Amparo tinha as duas estampas A do coração de Jesus ficou pra mi ha irmã e do coração de Maria nos não sabemos pra quem minhas tias ofereceram. Hoje pedimos a intercessão de María que guardou tino no coração pra que possamos implorar a ela por está pandemia. . Um grande abraço e sua bênção

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