SANTA MARIA MÃE DE DEUS

A festa de Santa Maria Mãe de Deus, celebrada na oitava do Natal e que abre o ano civil, coincide, de tempos em tempos, com a posse dos novos governantes municipais. Por eles e demais autoridades, pedimos as luzes do Espírito Santo, com esperança de que façam um bom governo.

O princípio de todo governo e o que lhe dá legitimidade é a construção do bem comum, de modo que todos os cidadãos se sintam em casa na terra onde vivem. Que nossos novos governantes sejam comprometidos com a vida desde sua concepção até a morte natural e a construção de um mundo novo, pautado nos valores do Evangelho.

A liturgia de hoje se concentra em dois temas comuns: a circuncisão do Menino Jesus ao oitavo dia, com a imposição do nome ao Verbo Encarnado e a maternidade virginal de Maria, Mãe de Deus.

Ao ser circuncidado na carne, o menino judeu recebia o seu nome, dado pelo pai. Será São José a dar ao Menino o seu nome humano, que é também nome divino, revelado pelo Pai Eterno, através do anúncio do anjo. Por meio de José, Jesus será reconhecido como Filho de Davi.

Ao assumir um nome e destino humanos, Jesus se torna cidadão deste mundo e sujeito à Lei Mosaica “a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva” (Gl 45). Filhos de Deus em Cristo, recebemos o seu Espírito, o Divino Espírito Santo “que clama em nós Abbá, meu pai” (Gl 4,6), meu paizinho. Recebendo-O no Batismo, nos tornamos herdeiros dos bens do Reino, pela graça de Deus.

Este Jesus é o Verbo Eterno de Deus, por Quem todas as coisas foram feitas e para Quem tudo existe, a Palavra definitiva do Pai, que Se fez um de nós no seio de Maria Virgem: “Na plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho nascido de Mulher” (Gl 4,4). Dois milagres num só: a Virgem que se torna Mãe de Deus na História e permanece virgem.

Sabemos que o Verbo, no princípio, no seio do Pai desde toda a eternidade, não tem mãe. Ele é o eternamente gerado. Mas, ao entrar no mundo, desde o primeiro momento da concepção, desde a anunciação do anjo e a resposta positiva de Maria ao convite de Deus, escolheu ter uma mãe e viver em família, sujeito a todas as dificuldades humanas. Aquele que nela foi gerado é obra do Espírito Santo e Filho de Deus mesmo, que assume nossa carne mortal, para ser o único mediador entre Deus e a humanidade perdida pelo pecado. Novo Adão nascido de nova Eva.

No Filho de Deus e de Maria, na graça deste Menino, se realizam o desejo de todo o homem e a bênção que o Senhor ordenou a Moisés que ensinasse ao sacerdote Aarão. Nele se revela a face misericordiosa do Pai e brilha a luz de sua face sobre nós. Nele, o Senhor nos dá a paz.

Não há outro modo de encontrar a paz, senão na acolhida daquele que nos diz: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não como o mundo a dá” (Jo 14,27). Mas, a paz que se funda na verdade, na justiça e na caridade, que devem orientar todo exercício de autoridade e governo. A verdade, que submete o poder ao bem, e a justiça, que funda na caridade o bem dos cidadãos. Leis, deveres e direitos devem ser garantia da verdadeira liberdade, que só se realiza na caridade e no respeito mútuo, e sustentar a responsabilidade de todos para com o que é de todos. Assim, construiremos a paz que tanto desejamos no Ano Novo. Ele será o que nós fizermos conjuntamente dele, pois não basta fazer bons votos para o ano que se se inicia. “Não há paz sem a cultura do cuidado”, recorda-nos o Papa Francisco na mensagem para o dia de hoje. E o agravamento da pandemia que estamos experimentando nos exige ainda maiores cuidados.

Que a imagem Divino Menino nos braços de Maria e José, que começou a derramar por nós seu sangue na circuncisão e consumou seu sacrifício na cruz, recorde a todos nós que sua condenação se deveu também à corrupção do poder político e econômico. Corruptos e corruptores devem ser afastados de todo governo.

É preciso ter também a coragem de ser feliz, acolhendo cada dia como um dom de Deus, e vivendo-o plenamente na fé, na esperança e na caridade, sabendo apreciar as pequeninas coisas, como nos ensina o Senhor ao chamar a nossa atenção para os lírios do campo e as aves do céu.

Deus nos abençoe, pela intercessão de Nossa Senhora de Oliveira, Mãe de Deus e nossa mãe, e de São José, seu esposo castíssimo. E possamos ter um feliz Ano Novo! Assim seja.

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