SENHOR, SALVA-NOS !

Esta palavra de Jesus nos interpela todos os dias. Como não ter medo diante das tempestades da vida, quando os fantasmas da memória, da incerteza e da falta de fé nos acompanham sempre? Mas, o que Deus, o que o Senhor Jesus quer de nós? Ele nos ordena, como a São Pedro, que caminhemos sobre as águas impetuosas. Só o faremos se, ancorados na fé, dermos as mãos ao Senhor, como filhos que se sentem seguros, quando dão aos seus pais a sua mão, e com os irmãos na comunidade, como São Tomé no dia da Ressurreição de Jesus (cf. Jo 20, 24-28).

Este segundo domingo de agosto é Dia dos Pais.  Não podemos nos esquecer que somos irmãos de Jesus, portanto filhos adotivos do mesmo Pai que, em Jesus seu Unigênito, nos deu também uma mãe, Nossa Senhora e um especial protetor, São José, guarda prudente da Sagrada Família, pai adotivo de Jesus e, portanto, também nosso.

 Iniciamos também a Semana da Família, inserida propositalmente nesse Mês das Vocações. Tempo de refletir sobre a vocação ao matrimônio. Se este não é assumido como vocação, não se sustenta. Vocações só se sustentam, se o chamado de Deus for fielmente ouvido todos os dias, como se expressam os noivos no dia de seu matrimônio e os demais consagrados, em sua profissão ou ordenação. 

A consciência do chamado de Deus faz superar crises e dificuldades quando inseridas na Cruz Redentora de Cristo! O problema é que costumamos esconder as crises ou desejar superá-las sozinhos.

Em meio a uma crise, o profeta Elias desejou também morrer, exausto de proclamar a Palavra de Deus e não ser ouvido. O Senhor então ordenou-lhe:  “Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer” (1Rs 19,7).  

À multidão faminta, o Senhor deu-lhe o pão multiplicado e, na Última Ceia, nos disse: “Tomai e comei! Tomai e bebei! ” (cf. Mt 26, 26-27)

Quantos desejam superar suas crises sem a confissão de sua fraqueza e, como São Pedro, se veem a afundar-se nas ondas do mar tempestuoso, mesmo depois de caminhar sobre as águas. Mas, ele deixou de fixar os olhos em Jesus (Cf. Hb 12,2) para olhar somente para as ondas. Sem a Eucaristia que nos alimenta em cada Missa, “carne dada para a vida do mundo” (Jo 6, 51c), podemos nos perder. Quantas são os vocacionados que se deixam arrefecer na fé, mesmo depois de piedosa confissão e comunhão antes de fazer suas promessas públicas ou particulares!

O Papa Bento XVI ensina: “Deixemos que a Palavra de Deus encha o nosso coração e a nossa mente e veremos a força e o poder que ela nos dá diante das maiores tentações. Há também que fugir das ocasiões de pecado, das más companhias e pedir ajuda, sendo sincero com quem dirige a nossa alma: ‘tentação descoberta, tentação vencida’. A Confissão frequente dar-nos-á graça e fortaleza para lutar contra as más inclinações e resistir às investidas do tentador. Na Eucaristia ‘torna-se presente de novo a vitória e o triunfo de Cristo sobre o demônio, sobre o mal e sobre a morte’; por isso, comunhão frequente. ” Com efeito, as provações às quais a sociedade atual submete o cristão são numerosas, e dizem respeito à sua vida pessoal e social. Não é fácil ser fiel ao matrimónio cristão, praticar a misericórdia na vida quotidiana, dar espaço à oração e ao silêncio interior; não é fácil opor-se publicamente a escolhas que muitos consideram óbvias, como o aborto em caso de gravidez indesejada, a eutanásia em caso de doenças graves, ou a seleção dos embriões para prevenir enfermidades hereditárias. A tentação de pôr de lado a própria fé está sempre presente e a conversão torna-se uma resposta a Deus, que deve ser confirmada muitas vezes na vida” (Audiência geral de 13 fevereiro de 2013).

O Papa Francisco ainda recorda: “Com o Diabo não se dialoga, porque você acaba em pecado e corrupção. As tentações levam a se esconder do Senhor, permanecendo com a nossa “culpa”, com o nosso “pecado”, com a nossa “corrupção” (Homilia em Santa Marta, 10 de fevereiro de 2017).

Em nossas tribulações, façamos como Jesus que, depois de despedir as multidões, “subiu ao monte para orar a sós” (Mt 14, 23b). Rezemos com o Apóstolo Pedro, também em razão da atual pandemia: “Senhor, salva-nos! ” (Mt 14, 30c). Tenhamos confiança! Ele nos estenderá sua mão. “Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! ” (Sl 33, 9). Afinal, o Senhor se manifesta “no murmúrio de uma leve brisa” (1 Rs 1912c) e não no barulho insistente de nossos confusos pensamentos ou na agitação de nosso ativismo. Caminhemos seguros na mão de Deus!

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

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