SUA RESSURREIÇÃO NOS RENOVA

Homilia do bispo diocesano de Oliveira/MG, Dom Miguel Ângelo Freitas Ribeiro, por ocasião da Vigília Pascal, celebrada em 31 de março de 2018.

Nesta noite santa da Vigília Pascal, a Igreja nos faz ouvir a proclamação do Evangelho de São Marcos.

Era bem cedo quando as mulheres, Maria Madalena, Maria a Mãe de Tiago e Salomé piedosamente foram ao túmulo para levar perfumes. Desejavam terminar os cuidados para com Jesus morto, já que tudo foi feito às pressas na última sexta- feita, pois nada se fazia depois do entardecer, na véspera do sábado.

Levam consigo os perfumes de seu cuidado e amor para com Jesus e, no coração, além da dor do luto, uma preocupação: “Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós? ” (Mc16,3) Preocupação mais que justificada, pois gastava-se, naqueles tempos, cerca de dez homens para rolar as tampas das sepulturas. Mas por que não pensaram nisso antes? Que descuido tiveram… talvez esperassem isso da boa vontade dos guardas que ali estavam a mando do Procurador Romano, a pedido dos sacerdotes do templo.

Surpresas, elas viram que a pedra já tinha sido removida.  E não encontraram soldados, mas um anjo vestido de branco… um anjo de Deus ou o próprio Jesus a quem não reconheceram. Ele mostrou-lhes o lugar da sepultura e deu-lhes uma ordem: “Ide e dizei aos seus discípulos e a Pedro que ele irá à vossa frente, na Galileia. Lá o vereis, como ele mesmo tinha dito” (Mc 16, 7).  E elas foram. Talvez Madalena tenha ficado. Mas, Jesus já aparecera a Simão como há de manifestar-se naquele dia aos outros nove, porque “Tomé não estava com eles” (Jo 20,24).

Por que o mensageiro vestido de branco faz referência a Pedro, em separado dos outros discípulos? Porque Pedro terá especial missão na Igreja nascente. Será sob a sua autoridade que o grupo apostólico se reconhecerá como discípulo do ressuscitado. Como nós, hoje, em relação ao sucessor de Pedro, que é o Papa. Onde estiver Pedro, estará a verdadeira Igreja de Cristo.

Quem já não se sentiu como as mulheres com enorme pedra a estancar-nos o caminho da vida? Certamente, todos já experimentamos este peso. Jesus, que removeu a pedra de seu sepulcro, tirou-nos também o fardo de nossos ombros com sua ressurreição.

 Por ele recebemos a certeza de que podemos sempre recomeçar, recebemos o perdão dos pecados e superamos o medo da morte e do aniquilamento total de nós mesmos. “Aquele que crê em mim, eu o ressuscitarei no último dia”. “Considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus! ”  (Rm 6,11), nos exorta o apóstolo Paulo.

Nem precisamos como Isaac carregar a lenha de nosso sacrifício (cf. Gn 22,6). Ele a levou por nós, consumando seu sacrifício em nosso favor, no alto do Calvário. Por ele, “Deus providebit! ” (Gn 6,8) Deus proverá todas as coisas. Basta que nele confiemos pois nos disse: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã. A cada dia bastam suas preocupações” (Mt 6,34).

 De novo, ele removerá a pedra do sepulcro para nós. Basta que busquemos nos conservar limpos, depois de passar pelas águas do mar de sua graça no batismo, como os hebreus ao fugir da terra da escravidão do Egito. Que nos esforcemos por deixar também o Egito de nossos pecados, do egoísmo feito violência cotidiana feita muitas vezes de palavras e silêncios de ódio. Basta que busquemos, cada dia, habitar no país que nos foi dado, descansando-nos em seu coração aberto na cruz. Esta é a nossa terra prometida: “Minha terra prometida, sois vós Senhor, minha vida”. “Minha alma tem sede de vós!” (Sl 62)

Tudo isso nos recorda esta solene Liturgia Pascal, que se inicia pela celebração da luz com a bênção do fogo novo. Porque, com a morte do Senhor, todas as luzes se apagaram. Só ele é a “luz verdadeira a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1,9). Ele quem veio “trazer o fogo a terra” (Lc 12,49), derramando sobre nós o Espirito do seu amor. Ele é o suave perfume que sobe aos céus como incenso de louvor como reza o Salmista: “Sois meu louvor na grande assembleia” (Sl 21,26). Ele é o centro da fé que solenemente professamos, renovando as promessas de nosso batismo.“Morto e sepultado, ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus donde há de vir a julgar os vivos e mortos, e o seu reino não terá fim”. O Filho de Deus e da Virgem Maria, que jubilosa canta conosco os aleluias da Páscoa!

Uma feliz e santa Páscoa. Renovados naquele “que faz novas todas as coisas (Ap 21,5), “o Primeiro e o Último, o Principio e o Fim, o Alfa e o Ômega de toda a criação e Deus. A ele a glória e o poder pelos séculos eternos”. Nossa vida santa seja o seu louvor. Amém.

* Foto: página da Paróquia de Nossa Senhora de Oliveira

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