UM BANQUETE UNIVERSAL

Neste domingo, duas parábolas de Jesus, unidas pelo Evangelista, nos colocam diante da dinâmica do Reino. A leitura de Isaías nos ajuda a compreender Quem é o rei que promove o banquete nupcial para seu Filho: “O Senhor dos Exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e do mais puro vinho” (Is 25, 6). Banquete que nos é oferecido todos os dias na Eucaristia, até que cheguemos à grande Eucaristia do Céu.

Todos sabemos, através de Jesus, que o chamado de Deus à salvação é universal. “Esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia. Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,39-40).

A parábola do banquete ilustra bem essa realidade. Dirigida primeiramente aos chefes judeus, se aplica também a cada um de nós. Não imaginamos o que Deus nos preparou para as núpcias eternas de seu Filho. “É como está escrito: ‘Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou’ (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (1 Cor 2,9).

Os primeiros convidados recusaram o convite do rei com mil desculpas, advindas de seus compromissos e comodidades, expulsando alguns e até matando outros mensageiros do rei. Assim aconteceu com muitos dos profetas de Israel. O rei então mandou novos mensageiros às encruzilhadas dos caminhos, para convidar a todos que encontrassem, bons e maus. E que cidade dos primeiros fosse destruída, porque não foram dignos dela. Certamente aqui uma imagem ou anúncio da destruição de Jerusalém, a cidade de Deus.

A Igreja, nova Jerusalém de Deus, na qual somos chamados à nova festa, é lugar onde trigo e joio se misturam, porque a Igreja não é o lugar dos perfeitos, mas dos que buscam, santificados pelo batismo, a perfeição de Cristo. “A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo” (Ef 4, 11-13).

Mas, Jesus acrescentou ainda outra pequena parábola. Quando o rei viu que um dos convidados não trazia o traje de festa, colocou-o para fora nas trevas exteriores. Qual é, pois, o traje de festa que todos, até mesmo os mais simples, devemos usar? A verdadeira fé que se traduz nas obras de misericórdia, um coração aberto à conversão diária para Deus, um coração simples, coração de pobre, capaz de acolher a novidade de sua Palavra, e uma disposição alegre e fraterna para com os irmãos, para que, mesmo estando entre os muitos que são chamados, deixemos de ser os escolhidos.  Porém, de quem é a verdadeira escolha, nossa ou de Deus? De cada um, porque “o Pai nos escolheu em Cristo, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade” (Ef 1, 4-5).

A veste de festa só nós podemos usá-la, mesmo que esteja à nossa disposição.  Ao amor de Deus, deve corresponder a nossa disponibilidade para o seu serviço e todo nosso empenho. Para isso, temos a Palavra de Deus, os Mandamentos, o Catecismo e o Magistério a nos guiarem.

É necessário aprender com Jesus como nos recorda o Apóstolo São Paulo, na mente e no coração, o segredo de viver. “E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus. Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos” (Fl 4,7-8).

Que Nossa Senhora Aparecida, cuja solenidade de Rainha e Padroeira do Brasil celebramos amanhã, e seu esposo castíssimo São José nos concedam, por sua intercessão, esta graça tão necessária como inestimável: Fazer o que Jesus nos mandar (cf. Jo 2, 5).

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

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