A PALAVRA QUE CONVOCA E SALVA

Neste domingo, o terceiro do Tempo Comum, o Papa Francisco convoca toda a Igreja a celebrá-lo como o Domingo da Palavra de Deus. No Brasil, já tradicionalmente celebramos o Mês e o Dia da Bíblia em setembro. A primeira leitura nos lembra a pregação de conversão feita por Jonas à maior cidade do seu tempo, Nínive. Jonas ameaça o iminente castigo da cidade se não houvesse a conversão do povo. Ele mesmo resistia à ideia de pregar a um povo pagão e que oprimia Israel. Mas o desejo universal de Deus que chama todos à salvação impõe a Jonas a pregação mesmo contra a sua vontade. E Nínive, por medo do castigo, se converteu e foi poupada. E Deus poupou-lhe os sofrimentos oriundos dos pecados do povo (Cf. Jn 3,10).

Jesus também inicia sua pregação com um apelo à conversão: “O tempo já se completou, O reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho! “ (Mc1,15) seu modo de pregar traz uma novidade em relação à pregação de seu primo João Batista. Este também anunciava o iminente castigo de Deus. Jesus anuncia o Reino do qual João é o precursor. Ao dizer que o tempo se completou faz referência à profecia de Daniel, conhecida de todos os judeus piedosos, sobre a queda dos reinos opressores, naqueles dias, o Império Romano.

A conversão se dá pela escuta da Palavra de Deus, do Evangelho. Por isto, o Apostolo São Paulo dirá: “A fé entra pelo ouvido” (Rm 10,17). Assim, Jesus, desde o começo de sua missão pública, convoca colaboradores par sua obra. Passando pelo mar da Galileia, Jesus viu Simão e André que estavam pescando e os chamou para segui-Lo. Faria deles pescadores de homens. Depois, chamou Tiago e João, que consertavam as redes junto com seu pai Zebedeu. Eles partiram e seguiram a Jesus.

Convocados pela Palavra Viva de Deus, o Verbo que se fez carne, eles se tornam servidores da Palavra para a salvação do mundo, para a implantação do Reino de Deus que é amor, justiça e paz. Pescadores de homens como na metáfora do Profeta Jeremias do tempo em que Deus convocaria as tribos dispersas de Israel e a todos para um tempo de Aliança Nova (Cf. Jr 16, 14-16).

Ainda hoje, muitos são chamados a deixar suas ocupações para seguir Jesus no ministério eclesial, para se consagrarem a Deus a serviço do Reino, no celibato, na virgindade consagrada e na renúncia às profissões civis. Mas todos são chamados a serem colaboradores de Deus, em todas as profissões e em qualquer estado de vida que escolherem; a colocar em segundo plano tudo o que possuem, porque a figura ou esquema deste mundo passa: casamento, prazer, riqueza, trabalho, saúde ou doença são deste tempo (1Cor 7,31). Em qualquer situação, devemos buscar viver a vontade de Deus e nos colocar à disposição de Seu projeto de amor.

Só a conversão do coração pode mudar este mundo. A nossa condição é a de não termos aqui cidade permanente, mas viver em busca da futura (Cf. Hb 13,14). Esta aventura sempre traz suas novidades, sofrimentos, desafios e tentações como as da indiferença e da acomodação diante dos males morais e sociais. O profetismo de Cristo nos faz comprometidos com um mundo novo, novo modo de viver, de conviver, de encarar os bens deste mundo e de fazer política. Ou corremos sério risco de ficar fora dos bens do Reino.

Hoje, em muitas de nossas paróquias, se celebra a festa de São Sebastião, padroeiro secundário de nossa diocese. Soldado romano, capitão da Guarda Imperial, soube conciliar sua profissão com a exemplaridade da vida cristã, pela Palavra e pela caridade. Colocou a fé, bem supremo nesta vida, em primeiro lugar e não cedeu às ofertas deste mundo. Preferiu os valores do Reio que não passa. Nestes tempos difíceis em que a peste do Covid-19 e outras não menores, como a desvalorização da vida – estimam-se em 60.000.000 os abortos provocados por ano no mundo – a indiferença para com os mais vulneráveis e o tráfico de drogas, peçamos sua intercessão contra os grandes males deste mundo e que sempre andam juntos, peste, fome e guerra.

No hino tradicional de nossas comunidades em honra de São Sebastião, cantamos que ele venceu três batalhas horrendas: a abundância de bens, a glória e o prazer, as três concupiscências deste mundo ou os “três chifres do diabo”, como diziam os Padres da Igreja.

A todas as comunidades de nossa diocese que celebram o Glorioso Mártir, especialmente às paróquias de São Sebastião de Oliveira, Campo Belo e São Sebastião da Estrela, com seus pastores, nossa oração e certeza de nossa presença espiritual.

Que Nossa Senhora e São José nos auxiliem no caminho de fidelidade ao Evangelho testemunhado por São Sebastião. Amém.

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

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