MISTÉRIO CENTRAL DA FÉ

Toda oração cristã se inicia com o sinal da cruz, “em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” e a oração litúrgica da Igreja sempre termina com a doxologia “por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho na unidade do Espírito Santo” ou se dirige ao Pai, “por Cristo nosso Senhor”. Este é o mistério central de nossa fé: um só Deus verdadeiro, em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, que os cristãos denominamos Santíssima Trindade. Pelas palavras professamos nossa fé trinitária, pela cruz nossa redenção pelo Verbo Encarnado que nos salvou por sua Paixão e morte. Por esta pequena oração penetramos no mistério central de nossa fé.

No Antigo Testamento, há indícios e sinais da revelação deste mistério e muitas figuras que o prefiguram. Mas, a revelação da Trindade só nos foi dada por Jesus Cristo. Ele se revela como o Filho Eterno e prometeu enviar, de junto do Pai, o Espírito Santo.

Na primeira leitura, tirada do seu discurso final, antes da entrada do povo de Deus na Terra Prometida, Moisés recordou ao povo de Deus nossa profissão de fé: “O Senhor é o Deus lá em cima do céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele” (Dt 4,39b). Cremos num único Deus, verdadeiro, criador de tudo o que existe e que é “mais íntimo de nós do que nós mesmos”, na expressão de Santo Agostinho. Todo o mistério de nossa salvação é obra dos Divinos Três que são um. É também o que expressa o Apóstolo São Paulo na Carta aos Romanos: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para nos atestar que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo; se realmente sofremos com ele, é para sermos também glorificados com ele” (Rm 8,16).

No Antigo Testamento, a revelação trinitária era algo de incipiente. O Livro do Gênesis diz que Deus criou o mundo pela sua Palavra (Verbo) e o Espírito de Deus pairava sobre as águas, como reflete o Salmo 33: “A Palavra do Senhor criou os céus, e Sopro de seus lábios, as estrelas”. Poréma plena revelação de Deus Uno e trino se dará somente após a ressurreição de Jesus.

Jesus levou os discípulos à Galileia, a um monte, como na aparição do Sinai a Moisés. E quando O viram, prostraram-se em adoração, mas não todos, porque alguns ainda duvidavam: “Então Jesus aproximou-se e falou: ‘Toda a autoridade Me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo’ (Mt 26, 19b) ’’. Naquele dia, Jesus se revelou plenamente como Deus na manifestação de sua glória. E enviou os discípulos em missão por toda a terra, ordenando que batizassem os que que cressem no Único Nome de Deus, Pai e Filho e Espírito Santo. E prometeu, como Emanuel, Deus conosco, permanecer com os discípulos a até o fim dos tempos (cf. Mt 1,23).

Santo Atanásio assim escreve no século IV, em sua Primeira Epístola a Serapião: “A nossa fé é esta: cremos na Trindade santa e perfeita que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é sua natureza, uma só a sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do seu Verbo, no Espírito Santo; e, deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade. Por isso, se proclama na Igreja um só Deus, que reina sobre tudo, age em tudo e permanece em tudo (cf. Ef 4,6). Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo e permanece em todas as coisas no Espírito Santo. ” “Em Deus Trindade nós vivemos, nos movemos e existimos” (At, 17,28).

Cantemos, pois, com toda a Igreja e professemos a fé que nos salva: “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo”. Interceda por nós a sempre Virgem Maria, filha de Deus Pai, mãe de Deus Filho que se fez homem no seu seio puríssimo, e esposa do Espírito Santo, templo da Santíssima Trindade; para que, nós também, templos e habitação de Deus pela graça do Batismo, sejamos por nossa vida um permanente “louvor de glória à Santíssima Trindade”.

E, como hoje, tradicionalmente se celebra o Dia das Comunidades de Base, rezemos por todas as nossas comunidades eclesiais. Possam crescer em seu testemunho missionário e não se desanimem, para que, retomemos de modo novo nossas atividades quando passar essa terrível pandemia. Somos Igreja da Trindade, comunidade de amor e de fé.

Que venham logo as vacinas, os doentes sejam curados e todos sejam protegidos, não se descuidando da necessária prevenção.

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

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