RAMOS DA VIDEIRA QUE É CRISTO

Neste 5º. Domingo da Páscoa, temos a célebre analogia da videira, o pé-de-uva, e dos ramos. Esta perícope ou trecho Evangelho pertence ao grande discurso de Jesus após a instituição da Eucaristia. Portanto, Jesus refere-se à Eucaristia como forma de permanecer em união com Ele, bebendo do Sangue da Videira e comungando de seu Corpo, que nos oferece como alimento em cada celebração eucarística.

A videira era também a imagem do povo de Israel, a videira de Deus, cujo agricultor era o Pai, e estava representada no Templo de Jerusalém pelos ramos de videira de ouro com cachos da altura de um homem, que circundavam a porta de entrada do santuário. Jesus aplica a imagem da videira ao novo povo de Deus, à comunidade de discípulos. Jesus é o verdadeiro Templo de Deus.

Um ramo precisa estar unido ao tronco para produzir frutos. A videira é a comunidade dos discípulos. O Pai é o agricultor e Jesus, o tronco. Os frutos são as boas obras produzidas pelo ramo ligado a Cristo na graça do Espírito Santo. Um ramo separado do tronco, seca, morre e será lançado ao fogo, imagem sempre presente na pregação de Jesus para referir-se ao inferno, à separação eterna do amor de Deus.

Permanecemos unidos a Cristo, ouvindo a Palavra de Deus, a Ele mesmo, Palavra Eterna do Pai que se fez homem no seio de Virgem Maria: “Vós já estais limpos por causa da Palavra que eu vos falei! (Jo 15, 2. Permanecemos unidos a Ele, se permanecemos em união com Ele, pelos sacramentos e longe do pecado. O pecado é o fruto mau da nossa distância de Deus e dos irmãos, quando nos separamos de Jesus e do seu Evangelho. Não nos basta, pois, a profissão de fé e o Batismo. Isto nos é recordado no rito batismal, quando renunciamos ao pecado e ao mal, e recebemos o sinal da veste branca que devemos levar sem mancha até a vida eterna. Mas, “se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas” (1Jo 3, 20) e nos perdoa, pelo arrependimento e confissão.

Não poderemos produzir frutos senão em união com Jesus. Ele nos dá a seiva, para que sejamos ramos fecundos e unidos ao tronco. O fruto que o Pai espera de nós é o fruto da conversão, ‘da justiça e do direito’ (cf. Is 5): uma vida conforme os mandamentos que brota do seu amor por nós e do nosso amor por Ele ou a santidade de vida: “Quem me ama guarda a minha palavra”. “Não amemos somente com palavras e de boca, mas com ações e de verdade”, nos diz ainda São João em sua Primeira Carta (1Jo 3,18).

Nenhum efeito terá toda nossa pregação e esforço pastoral, se não estivermos unidos a Jesus, pela oração, pela escuta de sua Palavra e pelos sacramentos e se nossas obras não refletirem nossa voz: “A palavra convence e o exemplo arrasta”, dizia São João Maria Vianney.

Após seu encontro com Jesus no caminho de Damasco, depois de pregar por ali um tempo, Barnabé levou Saulo a Jerusalém para estar com os Apóstolos. Suas palavras e suas obras eram como de fogo e convertiam a muitos. Este fato despertou o ciúme dos judeus helenistas, ameaçados por um novo apóstolo, que fora também um deles, fariseu e discípulo de Gamaliel, o mais importante dos mestres de Jerusalém, como o mesmo Paulo se refere (cf. At 22,3). Por este motivo, buscavam matá-lo. Assim, ele foi enviado a Cesareia e, posteriormente, a Tarso, sua terra, para a continuidade de sua missão apostólica. E a Igreja crescia em número com a ajuda do Espírito Santo, o Consolador e Defensor enviado a nós por Jesus (cf. At 9, 26). A Igreja não é uma realidade sociológica, mas o verdadeiro corpo místico de Cristo, fora de Quem não há salvação, “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro Nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12).

Neste mês de maio, que se abriu ontem com a festa do operário São José, e dedicado à Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, peçamos sua intercessão. Como eles estiveram sempre unidos à videira que é Jesus, também produzamos frutos para a glória de Deus e salvação de todos.

Estejamos cada dia unidos ao Papa e a toda da Igreja, na oração diária do terço pelo fim da pandemia.

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

2 comentários sobre “RAMOS DA VIDEIRA QUE É CRISTO

  1. Eu tinha muito medo do evangelho que dizia que quem não desse frutos iria ser lançado ao fogo.. eu ganhei da minha tia o livro Paulo dos gentios . Achei muito interessante mas muito difícil de ler. Dei de presente pro padre Vanir. Rs mas tenho outro livro de Paulo que gosto mais. Este está comigo

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