RECORRAMOS A SÃO JOSÉ

Este Ano de São José, convocado pelo Papa Francisco, nos dá nova oportunidade de meditar sobre aquele que, juntamente com Maria, foi escolhido pelo Pai do Céu para receber na terra seu Filho Unigênito.

Se Maria é verdadeira Mãe de Deus, São José, assumindo a paternidade legal de Jesus, pela qual ele foi reconhecido como Filho de Davi, é verdadeiro pai nesta terra (cf. Mt 1,1-16; 20-24, Lc 3,23-38).

Nunca se poderia falar, em breve artigo, sobre a grandeza desse homem de Deus, em que se destaca, sobre todas as virtudes, a sua fé confiante, mesmo nas maiores provações e adversidades.

Depois de Maria Santíssima, sua verdadeira esposa e Mãe de Deus que se fez homem, é o maior de todos os santos do Céu. Por isto, a Igreja aplica a ele as palavras do Faraó, rei do Egito sobre outro José, quando os filhos de Israel, depois de grande fome, vão até lá em busca de víveres: “Ide a José! ” (Gn 41,48).

Ao declará-lo Patrono Universal da Igreja, o Beato Pio IX, em época de grande tribulação, nos convidou, há 150 anos, a ir a São José: “Deus o fez senhor de sua casa e dispensador de todos os seus bens”. (Responsório da Ladainha de São José). A ele, Deus confiou seus maiores tesouros: Jesus, seu único Filho e a Virgem Imaculada.

Quando rezamos a ladainha de São José, podemos contemplar em suas invocações o que a Igreja crê e nos foi revelado sobre São José, o último dos patriarcas do Antigo Testamento e Patriarca da Nova Aliança, que, em sua casa, viu a realização da promessa feita a Israel de que enviaria um Salvador, o Cristo Senhor (cf. Lc 2,11)

Desposado com Maria, a quem amava com amor imenso e verdadeiro, sendo homem justo, ao saber de sua gravidez, antes de terem coabitado, pensou em deixá-la em segredo. Justo observante da Lei Mosaica (cf. Mt 1,19), deveria denunciá-la ao Conselho dos Anciãos da aldeia e ele seria provavelmente apedrejada pelo crime de adultério. A decisão de abandoná-la era assumir o lugar de um covarde, mas preservar a quem amava de todo o coração e em quem plenamente confiava. E, pela fé, ao lhe ser revelado que o que nela se operava era em virtude da graça do Espírito Santo, assumiu sem temor o seu lugar de pai de Jesus, dando-lhe o nome que lhe fora revelado pelo anjo. O nome de Jesus, que significa Deus salva, diz respeito ao mistério de Cristo Salvador, o Emanuel esperado (cf. Mt 1,18-25)

Assim, ele assumiu as responsabilidades de verdadeiro pai do Menino Jesus a Quem deu nome e sobrenome: Jesus, filho de José ou Filho do Carpinteiro, porque, tão eficaz em sua profissão, seu nome se escondia sob ela.

Pouco falam os Evangelhos sobre sua figura, mas o suficiente para conhecer suas virtudes. Peregrino com Maria na fé, deverá experimentar a dura pobreza e as incertezas da vida. A viagem difícil e perigosa a Belém para obedecer ao decreto do Imperador Augusto, quando Maria estava próxima de dar à luz; o não encontrar lugar na hospedaria e não achar outro melhor que um curral, onde depositou o Verbo de Deus na manjedoura onde comiam os animais (cf. Mt 2,13-18).

Mas, na pobreza do presépio a surpresa da inesperada da festa no céu e da visita dos pastores que falavam das maravilhas que Deus lhes havia revelado.

A circuncisão de Jesus (cf. Lc 2, 21) e a sua apresentação no Templo com a oferta dos pobres pela purificação de Maria, e a profecia de Simeão anunciavam-lhe e à Maria um mistério de luz e de dor (cf. Lc 2,22-28).

A acolhida dos Magos do Oriente a anunciar aos pais a vinda do Rei dos Judeus, a quem chegaram guiados por misteriosa estrela e já encontrá-los em sua casa de Belém, será outro momento de alegria e de mistério (cf. Mt 2,1-12). Pouco depois, a imediata necessidade de refugiar-se em terra estrangeira, atravessando o deserto, para fugir da barbaridade e tirania de Herodes, amedrontado diante de uma criança anunciada como Rei dos Judeus. A dor em saber de tantas mães que choravam a vida de seus filhos, arrebatados de junto de si pela crueldade de um rei injusto e apegado ao poder (cf. Mt 2,13-18).

O desafio de reconstruir a vida no Egito não terá sido fácil. A volta do desterro não menos cheia de angústia. Exigiu a prudência de São José e de Maria, ao decidir sobre o retorno a Nazaré e não a Belém, depois da morte de Herodes (cf. Mt 2,19-23).

Outro momento registrado nos evangelhos, foi a perda e reencontro do Menino Jesus Templo de Jerusalém, quando, aos doze anos, ficara para trás na comitiva que voltava das festas da Páscoa. Será ocasião de revelar-se ainda mais o mistério de Jesus. À palavra cheia de angústia de Maria: “Por que fizestes assim conosco? Olha que teu pai e eu te procurávamos aflitos? ”, a resposta de Jesus torna clara a sua missão: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai? ” (cf. Lc 2,41-50)

São José conhece o seu lugar. E se o evangelho não guardou única palavra sua, guardou o seu obediente, a oração e o trabalho. Esta a lição de São José, de Jesus e de Nossa Senhora para todos nós. A ele coube prover o sustento da casa, ensinar ao Menino Jesus uma profissão, a se cuidar e a ser judeu por inteiro.

Quando Jesus iniciou sua vida pública, São José já teria partido deste mundo pois, São Marcos registra que Ele era conhecido como o “Filho de Maria”, demonstrando assim a viuvez de Nossa Senhora (cf. Mt 13,55).

Neste tempo de difícil em que vivemos, em que o mundo se encontra marcado pela pandemia e cresce o número de mortos e a polarização política, vamos todos a São José. Ninguém que a ele recorreu deixou de ser atendido. Aprendamos dele a silenciosa espera da voz e escuta dos sinais de Deus, na oração, na paciência, no trabalho e no cuidado, lições permanentes de Nazaré.

O Papa Francisco reflete em sua carta sobre cinco pontos fundamentais da vida de São José: pai amado, pai na ternura, pai na obediência, pai no acolhimento, pai com coragem criativa, pai trabalhador e pai na sombra, que dá lugar para que o Filho cresça e assume sua vida e missão.

Rezemos, pois, com o Papa:

Salve, guardião do Redentor
e esposo da Virgem Maria!
A vós, Deus confiou o seu Filho;
em vós, Maria depositou a sua confiança;
convosco, Cristo tornou-Se homem.

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós
e guiai-nos no caminho da vida.
Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,
e defendei-nos de todo o mal. Amém.

+ Dom Miguel A. Freitas Ribeiro
Foto: Tiago Coelho

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