SEGUIR A JESUS NA ALEGRIA E NA PAIXÃO

Vividas as cinco semanas da Quaresma, na oração e na penitência, entramos na Semana Santa, que tem seu início com o do Domingo de Ramos. Outra vez, teremos nossas celebrações através das mídias de nossa diocese e paróquias, em razão da pandemia de COVID-19, que se estende há mais de ano. Nossos templos vazios nos convidam à penitência e ao esvaziamento de nós mesmos, para que Deus nos possa preencher completamente.

De nossas casas, Igrejas domésticas, com a Novena da Páscoa, disponível no site da diocese, viveremos, acompanhando as celebrações pelas mídias e em união com a Paixão de Cristo, a paixão do mundo inteiro, imerso nesta crise que nos parece não ter fim.

Se abrimos a Semana Santa com uma procissão festiva, aclamando o Senhor em sua entrada em Jerusalém, depois de passar com Ele pela Paixão e Morte na cruz, celebraremos as alegrias de sua Páscoa, que é também a nossa. Aclamado como Messias pelos pequenos e pobres, Jesus Se apresenta como rei pacífico que não monta cavalos de guerra, mas manso jumentinho. Com a multidão O aclamamos “Hosana! Bendito O que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!” (Mc 11, 9b-10).

Ele segue para Jerusalém para sofrer a Paixão com absoluta liberdade. As leituras subsequentes da Missa e o Evangelho nos inserem no mistério celebrado: “O Senhor abriu-Me os ouvidos; não Lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para Me baterem e as faces para Me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas” (Is 50, 6-7). Embora se angustie seu coração, veio para fazer a vontade do Pai, que deseja que todos os homens se salvem.

Ele sabe que será vitorioso após a Paixão e Morte na cruz. O salmo interlecional de hoje é o que Jesus rezou na cruz, e termina com uma oração de confiança e certeza de que o Pai não O abandonaria: “Anunciarei o vosso Nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-Vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-Lhe louvores, glorificai-O, descendentes de Jacó, e respeitai-O, toda a raça de Israel! ” (Sl 21 – cf. Mc 15,34))

A Paixão segundo São Marcos nos faz reviver os passos de sua condenação e morte. Ele nada responde a Pilatos porque, diante do procurador romano, não estava somente o Rei dos Judeus, mas a verdade de um inocente, humilhado, desprezado, ensanguentado, como tantas outras vítimas de nosso tempo, das calúnias, difamações e torturas morais, da violência da miséria, das drogas ou das agressões físicas. Ele foi trocado por um facínora. Nós fomos trocados por Ele. “Por alto preço fomos comprados” (1 Cor 7,23).

Quando chegou as três da tarde, “ a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes” (Mc 34,38). Cessava a Antiga Aliança e consumava-se o sacrifício da Nova e Eterna Aliança, na qual somos salvos. E o primeiro que acreditou nele foi um pagão: “Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: ‘Na verdade, este homem era Filho de Deus! ’ ” (Mc 34,39). Todos os homens, de todos os tempos e lugares, foram por Ele abraçados do alto de sua cruz, em que seus braços traçaram entre o céu e a terra a extensão de seu amor.

Sua vida não terminou na morte. O Apóstolo São Paulo nos recorda no cântico litúrgico recolhido na Carta aos Filipenses: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas Ele esvaziou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-Se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-Se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou acima de tudo e Lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai”. (Fl 2,6-11)

Sua obediência curou para sempre a desobediência de nossos primeiros pais no Paraíso. Nele somos salvos. Nele, nossa esperança e nossa certeza de que também este tempo de paixão do mundo há de passar. Em Jesus, Deus assumiu nossas dores, sofre com o mundo inteiro no corpo místico de Cristo. Mistério insondável, diante do qual nos restam o silêncio que consola e conforta e a solidariedade para com os que sofrem. Como o de Maria, João e as mulheres ao pé da cruz.

Que a Virgem Maria, a Senhora das Dores, e seu esposo São José intercedam por nós e pelo mundo inteiro neste tempo de Paixão.

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

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