SUBIU PARA FICAR CONOSCO

Quarenta dias após a ressurreição, Jesus se despede da visão dos discípulos. No tempo em que esteve com eles deu-lhes a certeza de sua ressurreição e organizou a Igreja nascente. Tempo de grande fecundidade, em que os preparava para a missão, como vemos na conclusão do Evangelho segundo São Marcos. “Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse- -lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados” (Mc 20, 15b-18).  “Foi Ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres” (Ef 4,11).

Sua presença no mundo se dará, a partir de então, pelo Espirito Santo, o Divino Paráclito, pelos sinais que confirmarão o anúncio do Evangelho, pela Igreja, pelos sacramentos e nos irmãos.

O mistério que hoje celebramos está resumido por São Marcos em 20,19: “Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus”. É o que professamos no Credo Apostólico e celebramos no salmo interlecional de hoje, o Salmo 46(47), que celebra a entronização do Verbo Encarnado, Deus feito homem, portanto, de sua humanidade glorificada no seio de Deus, na glória que recebeu do Pai antes de todos os séculos (cf. Jo 1, 14 e Credo Niceno-constantinopolitano).

 São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, nos dá uma descrição do que os discípulos testemunharam naquele dia, “depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. Foi a eles que Jesus Se mostrou vivo depois da sua Paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus” (At 1, 2b-3).

 Por ocasião de uma refeição, provavelmente na celebração eucarística como em Emaús, que lhes ordenou não se afastassem de Jerusalém, mas aguardassem o envio do Espírito Santo. Eles permaneceram durante nove dias – daí o costume católico de rezar novenas – em oração, com Maria, Mãe de Jesus, seus parentes e discípulos, na expectativa de Pentecostes (cf. At 1, 12-14).

Os discípulos ainda esperavam que Jesus restaurasse o antigo Reino de Israel, como no tempo de Davi por isso, “perguntaram a Jesus: ‘Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel? ’ Jesus respondeu: ‘Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade’ ” At 1, 6-7). Daqui, depreendemos que é inútil perguntar pelo tempo do fim do mundo. Jesus desautorizou a todos os profetas que o anunciarem   em seu dia e hora. E foram muitos os falsos profetas que o fizeram. Ordenou-lhes, no entanto, que, na força do Espírito Santo, anunciassem sem temor o Evangelho a toda a criatura, começando pelo povo da Antiga Aliança: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8). O Reino acontecerá pelo derramamento do Espírito sobre nós e sua acolhida em nossa vida.

Depois disso, uma nuvem encobriu Jesus e Ele subiu aos céus e não puderam mais vê-Lo (cf. At 1,9). Demonstrava assim o Senhor, mais uma vez, sua divindade, porque o Senhor Deus é o que cavalga sobre as nuvens, como exprimem poeticamente o salmista e o Profeta Isaías (cf. 103 e Is 19,1).

Como na Transfiguração, os discípulos ficaram estupefatos, olhando para o alto. Foi necessário que dois anjos vestidos de banco, mensageiros de Deus, lhes recordassem que era o tempo da missão, até que o Senhor venha em sua segunda vinda gloriosa, “para julgar os vivos e os mortos” (cf. At, 1,9 e Credo Apostólico).

O tempo da Igreja, o nosso tempo, é o da construção do Corpo Místico de Cristo, do novo povo de Deus, nascido da Palavra proclamada e do Batismo e alimentado pelos sacramentos.

A Igreja é chamada a observar os sinais de Deus, a observar os novos desafios para uma evangelização eficaz, especialmente neste tempo, em que nos vemos assediados pelo materialismo e a Igreja se vê perseguida em muitos lugares. Tempo do exercício da caridade em obediência ao mandamento do Senhor. “Com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4, 2-3). “Assim, Ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o Corpo de Cristo, até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude” (Ef 4, 12-13).

Cristo, nossa cabeça e princípio, subiu aos céus de onde nos atrai a si como membros do seu corpo, “contudo, escreve Santo Agostinho, continua sofrendo na terra através das tribulações que nós experimentamos como seus membros. Deu testemunho dessa verdade quando se fez ouvir lá do céu: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues (At 9,4). E ainda: Eu estava com fome e me destes de comer’ (Mt 25,35) ”.

Peçamos a intercessão de Nossa Senhora de São José e dos Santos Apóstolos para que possamos, abertos ao Divino Espírito Santo, acolher o Reino de Deus dentro de nós e o manifestemos pela nossa presença e caridade no mundo. E, como celebramos hoje o Dia das Comunicações Sociais, rezemos pelos comunicadores, para que sejam servidores da verdade e não simplesmente da notícia, e pela Pastoral da Comunicação, que se mostra ainda mais importante nesse tempo de pandemia.

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

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