TESTEMUNHAS DA FÉ E COLUNAS DA IGREJA

Transferida do dia 29 de junho, celebramos hoje a solenidade dos dois apóstolos, São Pedro e São Paulo, martirizados em Roma durante a perseguição de Nero. Pedro e Paulo são, com justiça, chamados de Colunas da Igreja e, por sua vida e ministério, apresentam duas facetas do Corpo Místico de Cristo. Pedro como primeiro entre os Doze, confirmado na fé (cf. Jo 21, 21), foi chamado a confirmar na fé os irmãos (cf. Lc 22, 31-32). Daí o ministério petrino do Papa, que sintetiza a hierarquia eclesiástica. Paulo, Apóstolo dos Gentios ou pagãos, chamado diretamente pelo Senhor no caminho de Damasco quando ia a perseguir os cristãos (cf. At 9,4) e, por este motivo, se autodenomina, “como um abortivo” (cf. 1 Cor 15,7), representa o carisma. Unidos pela amizade fraterna e pelo mesmo ministério apostólico, unidos deram testemunho de Cristo Ressuscitado, na vida e na morte. Pedro, crucificado de cabeça para baixo, e Paulo, degolado fora dos muros de Roma, por receber, como cidadão romano, morte considerada menos indigna.

Ao celebrar a morte destes dois apóstolos celebramos a fé proclamada por Pedro e Paulo e sobre a qual se funda a Igreja de Deus.  

Em Cesareia de Felipe, os discípulos foram interrogados por Jesus sobre quem achavam ser o Filho do Homem. Depois de muitas respostas, conforme a expectativa dos judeus, interrogou-os sobre quem achavam ser Pedro então respondeu: “Tu és o Messias (Cristo ou Ungido), o Filho de Deus vivo! ” (Mt 16,16)

 Esta é e nossa profissão de fé que, proclamada do Simão, fez com que Jesus lhe desse novo nome, o de Pedro ou pedra, acrescentando que sobre essa pedra edificaria a sua Igreja (cf. Mt 16,18). Seu ministério de vigário de Cristo, serve à unidade da Igreja como seu sinal visível, hoje, na pessoa do Papa Francisco. E os poderes do inferno nunca poderão vencer a Igreja, cujo poder das chaves, pode ligar e desligar, isto é, julgar, perdoar e condenar ou impor penitência, dado aos apóstolos em conjunto e em união com ele, foi entregue a Pedro, em particular (cf. Mt 16,19). Inspirado pelo Espirito Santo, o Papa, sucessor de Pedro na Sé de Roma, tem, por isso, a autoridade apostólica sobre toda a Igreja.

Ao dizer a Pedro: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu” (Mt 16,17), Jesus ainda nos mostra que a ação primeira e a razão de nossa fé é iniciativa da graça de Deus que vem ao nosso encontro e nossa salva.

A Igreja se edifica sobre a fé proclamada por Pedro, Paulo e os outros apóstolos, que testemunharam a vida do Ressuscitado. Cabe também a nós dar o mesmo testemunho neste mundo, pelo anúncio do Evangelho e, se preciso for, pelo martírio cruento. São Tomás de Aquino fala ainda do martírio da fidelidade cotidiana, em que somos chamados a renunciar a nós mesmos, tomar a nossa cruz e seguir a Cristo também na sua Paixão (cf. Mt 16,24).

Na segunda leitura Paulo, já próximo de sua morte, antevê o prêmio que receberá de Deus pelo seu trabalho em favor do Reino e por todos que igualmente se empenharem em sua propagação: “Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa, e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa ” (2 Tm 4,8).

Nesta solenidade de São Pedro e São Paulo, em que celebramos também o Dia do Papa, razão da coleta que denominamos Óbolo de São Pedro, em favor das vítimas das catástrofes mundiais, peçamos sua intercessão, certos de que Aquele que os sustentou em sua fé na vida e na morte, haverá de sustentar-nos em nosso caminho. Conosco estão Jesus, o Emanuel, a Santa Virgem Mãe de Deus, São José e toda a corte celeste dos anjos e santos de Deus que, com as benditas almas do purgatório realizam o único mistério da Igreja.

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