VIMOS SUA ESTRELA NO ORIENTE

A festa da Epifania de Jesus apresenta-nos o Senhor como Salvador de todos os povos e não apenas do povo judeu. 

Para Belém se dirigem os pastores, mas também os Magos do Oriente, sábios que se orientam pela estrela anunciada por Balaão, um profeta pagão, por conhecerem e estudarem as Escrituras de Israel (cf. Nm 24,17). “Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2,2b). Vinham do Oriente e buscavam um outro Oriente. Não buscavam somente o Rei dos Judeus, buscavam o Messias de Israel, buscavam o Deus de Israel o único e verdadeiro Deus.  E O encontraram envolto em panos, na casa de Maria, repousando nos braços de sua mãe (cf. Mt 2,11).

Quando seguimos o itinerário dos Magos, percebemos não só a ação de Deus em suas vidas, como o que Deus deseja para sua Igreja. Buscaram o Rei dos Judeus onde pensaram encontrá-lo, no palácio e na Capital do reino. Um príncipe só poderia ser filho de reis, por isto, supunham-no filho de Herodes.  Mas a Escritura os reenviou a Belém e a estrela os conduziu à casa de Maria e de José (cf. Mt 2,10), na periferia do mundo, ao lugar dos pobres.

Os Magos eram sábios que se puseram a caminho. Saíram da comodidade de seus palácios e investiram seu tempo e seu dinheiro. Foram em busca de um Menino em Quem depositavam suas esperanças. Diante da informação dos sábios de Israel, não hesitaram em mudar de direção, em atualizar suas convicções e, ao encontrar o Menino, na pobreza de uma casa em Belém, mesmo assim ajoelharam-se e O adoraram com fé. 

Ofereceram-Lhe seus ricos presentes: ouro incenso e mirra, que os Santos Padres interpretarão como o ouro da realeza, o incenso da divindade e a mirra de sua humanidade sofredora. Deram do que tinham e receberam o que não tinham, ensina Santo Agostinho. Deram-lhe presentes de seus tesouros e receberam o tesouro inestimável da fé.  Por este motivo, voltaram por outro caminho, deixando para trás o caminho de Herodes, de sua mesquinhez de coração (cf. Mt 2,12). Voltaram convertidos, como acontece a todos que se encontram verdadeiramente com Jesus. Avisados em sonhos, como patriarcas de todos os pagãos que haviam de aderir à fé, seguiram outro caminho pois encontraram novo Oriente para suas vidas.

Nossa vida deve também se orientar por esta Estrela, que é o próprio Jesus.  Ele nos convida a que renunciemos ao nosso tempo, pela obediência da fé; aos nossos bens, pelo espírito de pobreza evangélica e voluntariamente assumida, e aos nossos afetos mais legítimos, pela castidade vivida segundo o nosso estado de vida, casados ou solteiros, colocando-nos a serviço dos irmãos, para herdar os bens do Reino. 

Como os Magos, nos disponhamos a também a trilhar outro caminho: o caminho do Evangelho da conversão. O Oriente da vida cristã só pode ser Jesus.   Ele quem  dá sentido a toda vida humana: por Ele foram criadas todas as coisas e, por Ele todas as coisas existem (cf. Jo 1,3). 

Deixemo-nos iluminar, como os Magos do Oriente, por sua luz bendita, que jorra divinamente das Sagradas Escrituras. Partindo da astronomia, eles encontraram a fé. Não tenhamos, pois, medo da ciência, desde que pautada nos valores da ética e da justiça.  Diz Santo Alberto Magno, o homem mais sábio de seu tempo e religioso dominicano: “Muita ciência aproxima de Deus, pouca ciência afasta. ”

Não tenhamos medo das incompreensões, como os Magos não tiveram diante da falsidade e do desprezo de Herodes e seus sábios. No Divino Menino encontraremos nossa força. Sua verdade nos liberta e nos dá a vida verdadeira. Como os Magos, depositemos todos os dias nossa vida, como um presente, diante daquele que é pura presença, até que também sejamos nós  pura presença diante dele.

Caríssimas irmãs e irmãos, que alegria a da festa de hoje! Embora sem o alegre ruído das folias dos Santos Reis, impedidas de sua jornada em razão da pandemia! O Menino continua a derramar suas graças sobre todos que O acolhem. O Menino continua também a nos pedir que sigamos sua estrela, caminhando do centro para a margem.

Ajudem-nos a intercessão de Nossa Senhora, de São José e dos Santos Reis do Oriente. E, para todo a humanidade, o Ano Novo seja renovado em Cristo!

+ Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro

2 thoughts on “VIMOS SUA ESTRELA NO ORIENTE

  • 3 de janeiro de 2021 em 14:12
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    Dom Migurl, que bom estar em contacto com suas palavras ricas em espiritualidade. Feliz 2021.Saúde e Paz.

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  • 3 de janeiro de 2021 em 17:22
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    Que sejamos dignos de seguir a estrela e ao encontrar Jesus possamos nos prostar diante dos reis dos reis e o reconher como verdadeiro rei e senhor de nossas vidas.

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